POLITICA, COMUNICAÇÃO & ELEIÇÕES

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Como evitar guerras petrolíferas, terrorismo e colapso económico

por Richard Heinberg
Neste momento a maior parte das pessoas bem informadas está consciente de que a produção global de petróleo poderá atingir em breve o seu pico histórico, e de que as consequências provavelmente serão severas. Muitos países importantes na produção de petróleo (tais como os Estados Unidos, a Indonésia, o Irão) e algumas regiões inteiras (tal como o Mar do Norte) já ultrapassaram os seus máximos de produção. A cada ano, aproximadamente, mais um país atinge um plateau de produção ou principia o seu declínio terminal. Enquanto isso, as taxas globais de descobertas petrolíferas têm estado a cair desde o princípio da década de 1960, como foi confirmado pela ExxonMobil. Todos os 100 campos gigantes ou supergigantes que são responsáveis colectivamente por cerca da metade da produção actual do mundo foram descobertos nas décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970. Nenhum outro campo de dimensão comparável foi descoberto desde então. Ao invés disso, a exploração durante os últimos anos resultou apenas em campos muito mais pequenos que se esgotam relativamente rápido. O resultado é que hoje está a ser descoberto apenas um novo barril de petróleo por cada quatro que é extraído e utilizado. Os líderes mundiais têm a sua capacidade de avaliar a situação restringida pela falta de dados consistentes. Os números das reservas provadas de petróleo parecem reconfortantes: o mundo ainda teria aproximadamente um trilião (10 12 ) de barris para produzir, talvez mais. Na verdade, os números das reservas oficiais nunca foram tão elevados. Contudo, a evidência circunstancial sugere que alguns dos maiores países produtores inflacionaram os números das suas reservas por razões políticas. Enquanto isso, as companhias de petróleo habitualmente (e legitimamente) relatam crescimento das reservas de campos descobertos décadas atrás. Além disso, os números das reservas muitas vezes são conspurcados pela inclusão de recursos de petróleo não convencional, tais como areias betuminosas — os quais precisam ser levados em conta, mas numa categoria separada, pois as suas taxas de extracção estão limitadas por factores diferentes daqueles que constrangem a produção do petróleo bruto convencional. Em consequência de todas estas práticas, as reservas de petróleo tendem a dar uma impressão de expansão e abundância, enquanto os dados de descobertas e de esgotamento indicam o oposto.Este aparente conflito nos dados provoca disputas entre peritos acerca de quando acontecerá o pico petrolífero global. Alguns analistas dizem que o mundo agora está virtualmente no seu pico de produção, outros respondem que o evento pode ser adiado por duas décadas ou mais através do investimento avançado na exploração, da adopção de novas tecnologias de extracção, e da substituição do petróleo convencional por fontes de petróleo não convencionais (areias betuminosas, condensados de gás natural e petróleos asfálticos).
Entretanto, há pouco ou nenhum desacordo em que uma série de picos de produção está agora à vista — primeiro, para o petróleo convencional não-OPEP; a seguir para o petróleo convencional em termos global; e finalmente para todas as fontes petrolíferas globais em conjunto, convencionais e não convencionais. Além disso, apesar de poder haver discussão quanto ao momento temporal destes eventos, está a tornar-se amplamente reconhecido que o pico mundial de todas as fontes em conjunto terá consequências económicas globais significativas. Os esforços de suavização exigirão muitos anos de trabalho e triliões de dólares de investimento. Mesmo que as previsões optimistas quanto ao momento do pico global de produção se revelem exactas, o mundo está a enfrentar uma mudança histórica que é sem precedentes em âmbito e profundidade de impacto. Devido à dependência sistemática do petróleo para o transporte, agricultura e as produção de plásticos e produtos químicos, todos os sectores de todas as sociedades serão afectados. Serão necessários esforços para criar fontes alternativas de energia, para reduzir a procura por petróleo através de eficiência energética elevada, e para redesenhar sistemas inteiros (cidades inclusive) para operarem com menos petróleo
".
Considerando que a passagem da história tem registado um ritmo de mudança crescente, de modo que a procura por energia tem aumentado rapidamente em paralelo com a população mundial ao longo dos últimos 200 anos posteriores à Revolução Industrial;
Considerando que a oferta de energia exigida pela população mundial tem vindo principalmente do carvão e do petróleo, tendo sido formados quase sempre no passado geológico, e que tais recursos estão inevitavelmente sujeitos a esgotamento;
Considerando que o petróleo proporciona 90 por cento do combustível para os transportes, é essencial ao comércio e desempenha um papel crítico na agricultura, necessária para alimentar a expansão populacional;
Considerando que o petróleo está desigualmente distribuído sobre o Planeta por razões geológicas bem entendidas, com grande parte dele estando concentrado em cinco países junto ao Golfo Pérsico;
Considerando que todas as maiores províncias produtivas do Mundo já foram identificadas graças à tecnologia avançada e ao conhecimento geológico cada vez melhor, sendo agora evidente que as descobertas alcançaram um pico na década de 1960, apesar dos progressos tecnológicos e de uma pesquisa diligente;
Considerando que o pico passado da descoberta inevitavelmente conduz a um correspondente pico da produção durante a primeira década do século XXI, assumindo que não haja um declínio radical da procura;
Considerando que o início do declínio deste recurso crítico afecta todos os aspectos da vida moderna, o que tem graves implicações políticas e geopolíticas;
Considerando que é adequado planear uma transição ordenada para o novo ambiente mundial de oferta de energia reduzida, tomando disposições para evitar o desperdício de energia, estimular a entrada de energias substitutas e estender o tempo de vida do petróleo remanescente;
Considerando que é desejável atender aos desafios que assomam no horizonte de uma maneira cooperativa e equitativa, assim como os relacionados com as preocupações da mudança climática, da estabilidade económica e financeira e das ameaças de conflitos para acesso a recursos críticos.
É PROPOSTO AGORA QUE
1- Seja convocada uma convenção de nações para considerar a questão tendo em vista concertar um Acordo com os seguintes objectivos:
a) evitar a especulação (profiteering) com a escassez, de modo a que os preços do petróleo possam permanecer num relacionamento razoável com o custo de produção;
b) permitir aos países pobres manterem as suas importações;
c) evitar desestabilizar fluxos financeiros decorrentes de preços excessivos de petróleo;
d) encorajar os consumidores a evitarem o desperdício;
e) estimular o desenvolvimento de energias alternativas.
2- Tal Acordo terá disposições com os seguintes contornos:
a) Nenhum país produzirá petróleo acima da sua actual Taxa de Esgotamento, sendo a mesma definida como produção anual como uma porcentagem da quantidade estimada deixada para produzir;
b) Cada país importador reduzirá as suas importações para atingir a actual Taxa Mundial de Esgotamento, deduzindo qualquer produção interna.
3- Disposições pormenorizadas cobrirão a definição das várias categorias de petróleo, isenções e qualificações, e os procedimentos científicos para a estimação da Taxa de Esgotamento.
4- Os países signatários cooperarão proporcionando informação sobre as suas reservas, permitindo auditoria técnica plena, a fim de que a Taxa de Esgotamento possa ser determinada com precisão.
5- Os países signatários terão o direito de recorrer quanto à avaliação da sua Taxa de Esgotamento no caso de alteração de circunstâncias.
Outras fontes de informação:
Sobre o esgotamento petrolífero:
www.globalpublicmedia.com
www.energybulletin.net
www.peakoil.net
www.odac-info.org
Sobre Quotas internas comerciáveis ( Domestic Tradable Quotas , DTQs):
www.dtqs.org
Sobre o Relatório SAIC:
www.cge.uevora.pt/aspo2005/ abscom/Abstract_Lisbon_Hirsch.pdf
www.hilltoplancers.org/stories/hirsch0502.pdf
O original encontra-se aqui e a tradução aqui. Ler tudo aqui.