POLITICA, COMUNICAÇÃO & ELEIÇÕES

sexta-feira, 25 de abril de 2008

EUA-2008: "Clinton-Obama, duelo sem tréguas"

Da autoria da jornalista , Rita Siza, do Publico, transcrevemos mais excelente e actual texto: "A candidata à nomeação democrata, Hillary Clinton, não deu um minuto de tréguas na ofensiva contra o seu adversário Barack Obama, em mais um debate televisivo (o 21º) seis dias antes da importante votação da Pensilvânia. Sempre à defesa, Obama teve a sua pior prestação até agora, embora a sua candidatura possa vir a escapar incólume de uma noite para esquecer - ontem, a opinião pública parecia castigar mais Hillary pela dureza dos seus ataques do que Obama pela tibieza das suas respostas. Antes do debate, muito se especulava sobre que postura iria Hillary assumir: na teoria, a senadora de Nova Iorque está mais dependente de uma vitória expressiva na Pensilvânia do que o rival. Logo a abrir a senadora de Nova Iorque provou que estão longe os dias da simpatia e dos elogios: a candidata estava ali para explorar as fragilidades do adversário. Quanto a Obama, "estava desanimado, exausto, abatido, receoso. Parecia esmagado e incapaz de reagir", comentou o jornalista e blogger conservador Andrew Sullivan. A discussão abriu com as últimas controvérsias da campanha, em particular os comentários de Barack Obama sobre a amargura da classe trabalhadora, que perante a falta de soluções económicas se refugia na religião e nas armas (uma polémica que já tem o nome de "Bittergate"). Seguiram-se outras perguntas "difíceis"para o senador do Illinois: porque não usa um pin com a bandeira dos EUA; será que o seu antigo pastor, Jeremiah Wright, ama a América; como justifica a sua amizade com William Ayers, que na juventude esteve envolvido com a célula de esquerda Weather Underground, que reivindicou vários ataques à bomba nos anos 70?".
Hillary Clinton
· "Em várias ocasiões nas últimas semanas disse coisas que não coincidiam com o que eu sabia ser a realidade e que não eram o mesmo que descrevi no meu livro. E claro que me sinto envergonhada por isso. Já pedi desculpa e já reconheci que foi um erro. E espero que seja uma coisa que possa ser esquecida, até porque continuo a sentir-me orgulhosa por ter visitado a Bósnia."
· "Para mim seria intolerável que o meu pastor, logo no primeiro sermão depois do 11 de Setembro, tivesse responsabilizado os Estados Unidos pelo ataque."
· "Não tenho dúvida e sei que o senador Obama é um homem bom e que eu respeito imenso, mas estas são questões que os republicanos seguramente levantarão. E que vão ao encontro das nossas preocupações sobre como vamos correr contra John McCain."
· "Eu tenho muita bagagem, e já toda a gente vasculhou nela durante anos."
· "Acho que é imperativo que o nosso partido cerre fileiras e se una em torno de um candidato. Farei todos os possíveis para que as pessoas que me apoiam mantenham também o apoio ao futuro nomeado. E sei que o Barack também pensa assim."
Barack Obama
· "O que é importante é não ficarmos tão obcecados com gaffes que perdemos de vista que estamos perante um momento decisivo na nossa história. Andarmos obcecados com as gaffes e os enganos é um grande erro. Não é essa a nossa campanha."
· "Esta noção de que a consequência de eu conhecer alguém que esteve envolvido em actos detestáveis há 40 anos, quando eu tinha oito anos, é um reflexo da minha pessoa e dos meus valores não me parece fazer grande sentido."
· "Nunca disse que usaria pins com a bandeira na lapela ou que me recusaria a usar pins com a bandeira. Esse é o tipo de tema fabricado com o qual a nossa vida política anda obcecada e que apenas nos distrai."