Publicidade: Os acidentes acontecem
Escreve a jornalista do DN de Lisboa, Patricia Veigas, que "a nova ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón, colocou um ponto final à censura que desde a semana passada afectava os computadores dos quartéis das Forças Armadas e do seu próprio Ministério. A partir de agora, os funcionários, tanto os civis como os militares, podem voltar a aceder a sites como o do Ebay, da Marca ou da Interviú. O primeiro é um endereço de leilões on-line, o segundo um diário desportivo, a terceira uma revista de actualidade que esta semana traz na capa a alegada namorada de Ronaldo, nua. O acesso à Internet tinha sido limitado devido a uma sobrecarga na rede ministerial e isso originou protestos por parte de algumas associações de militares que, dizem, se recusam a ser "cidadãos de segunda". A restrição foi, no entanto, imposta por pessoal técnico, segundo um porta-voz do departamento de Chacón, citado pelas agências, depois de se constatar que, a dada hora do dia, a rede do Ministério colapsava. Agora, um aumento de capacidade, veio ontem devolver aos funcionários da Defesa o livre acesso à Net. No mesmo dia a ministra visitou os militares espanhóis no Líbano. E, por que talvez seja mais fácil fazer queixas a uma mulher, que ainda por cima está grávida de sete meses, o general García Sanchez aproveitou para lembrar que os veículos de que dispõem "têm já muitos anos" e estão no final da sua vida útil. A mensagem subliminar é a de que é preciso comprar material novo. Os militares ofereceram ainda à ministra algumas prendas para o seu bebé".
Com este título e da autoria do jornalista do Publico, Miguel Gaspar, escreve o jornal: "Maio foi a história das mulheres e dos homens que há 40 anos se encontraram nas ruas de Paris partilhando um desejo de liberdade sem precedente e desafiaram os poderes e os costumes exigindo o impossível - e exigindo-o já. Sede de um eterno presente, Maio, se tivesse uma banda sonora, poderia ser La valse a mille temps de Brel, na qual Paris qui marque la mesure/ laisse enfin exploser sa joie ("Paris que marca o tempo/ deixa enfim explodir a sua alegria"). A Paris que marca o tempo (no sentido musical) torna-se também a Paris que marca o tempo histórico. E é a valsa de todos os tempos possiveís.A canção é citada pelo antigo soixante huitard André Glucksmann em Mai 68 Expliqué à Nicolas Sarkozy (o livro que assina com o filho, Raphaël, e onde tenta justificar um controverso apoio eleitoral ao Presidente francês), como se Paris em 68 tivesse sido esse momento - eventualmente irrepetível? - em que uma cidade se teria libertado da História, como uma valsa que já não estivesse confinada a um compasso de três tempos. Talvez seja por isso que o Maio em que se decretou que dois e dois já não eram necessariamente quatro seja uma história de mil tempos, mas também mil vezes contada. 2008, já passaram 40 anos, a memória regressa. Em parte porque nunca saberemos se o próprio Maio irá voltar. O sociólogo Jean-Pierre Le Goff fazia essa pergunta em Mai 68: L"Héritage Impossible, escrito na penúltima estação em que o comboio da memória de 68 parou (1998): "Quando os conflitos sociais ganham dimensão, a referência regressa sempre: iremos conhecer um novo Maio de 68?"Maio, a "divina surpresa" (segundo Le Goff) que ninguém antecipava na França de 1968 que "se aborrecia", como se escreveu num editorial que ficaria célebre; Maio, a cidade das barricadas, da greve geral, dos slogans escritos não se sabe por quem, da revolta inspirada na crítica do quotidiano do movimento situacionista de Guy Débord e na afirmação da ideia de emancipação e de autonomia dos indivíduos de Cornelius Castoriadis e do grupo Socialismo ou Barbárie, Maio que deixou uma marca no tempo que porventura ultrapassa um mês de festa e de revolta espontânea, encerrado no fim do mês com a enorme manifestação a favor de De Gaulle e a posterior e esmagadora vitória da direita nas legislativas antecipadas".
Da autoria dos jornalistas Inês Santinhos Gonçalves e Bruno Nunes, o Publico recordou o aniversário do Maio de 68: "Quem não sabe, não sabe, concluímos depois de falar com 300 estudantes universitários em Lisboa sobre o Maio de 68. Sabem o que foi? Cinquenta por cento disseram logo que não. Depois, quando perguntámos exactamente o que era o Maio de 68 aos que tinham dito que sabiam, 21 por cento deu, afinal, uma resposta errada. No total, 60 por cento dos estudantes não reconheciam o acontecimento.Entre as respostas sobre o que, supostamente, foi o Maio de 68, ouvimos coisas como "foi a revolta estudantil em Coimbra", foi a "tentativa de golpe militar falhado que deu azo ao de 1974" e "foi o primeiro ano em que se comemorou o 1º de Maio".Calma, sugere Fernando Rosas, historiador e professor Catedrático da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e dirigente do Bloco de Esquerda. "Se fossem perguntar aos estudantes da minha geração o que tinha sido o Ultimato ou o Regicídio, também havia muitos que não sabiam. As coisas têm que ser relativizadas."O P2 entrevistou 309 estudantes de seis faculdades lisboetas, de áreas de estudo distintas. A maioria dos estudantes abordados aceitou participar e os resultados não podiam ser mais díspares: 70 por cento dos entrevistados que frequentam cursos de áreas científicas (Faculdade de Ciências, Faculdade de Economia e Instituto Superior Técnico), nunca tinham ouvido falar do Maio de 68. Para alguns a pergunta pareceu até bastante despropositada: "Em 68 ainda não tinha nascido, como é que querem que eu saiba?", disse ao P2 uma aluna do IST.Na área das humanidades (Faculdade de Letras, Faculdade de Direito e Faculdade de Belas-Artes), os resultados foram opostos, com 75 por cento dos alunos a responderem "sim". À pergunta "sabe o que foi o Maio de 68?", a área de estudo revelou-se um indicador decisivo. Já o género foi indiferente, com quase os mesmos "sins" e "nãos" em homens e mulheres. A idade ou o ano que frequentavam também não revelaram diferenças.Caetano esteve lá?Perante o resultado do nosso inquérito não científico, Fernando Rosas defende que os estudantes saberiam mais sobre o Maio de 68 "se houvesse um movimento associativo estudantil mais politizado, mais activo, mais interveniente, onde esse património provavelmente circularia de forma mais presente".
(...)"Ainda mal se arrumara a casa e já se estava a partir para outra: as eleições presidenciais. Lá chegaremos, em breve, e ao dramatismo que as antecedeu. A pausa que fazemos é para introduzir dois excertos de uma entrevista de Proença de Carvalho a Maria João Avillez 27 que poderão ajudar a compreender os seus pontos de vista. O primeiro é sobre o critério que defendia para uma política de Informação televisiva. À pergunta da jornalista, Proença concedeu: “Terei de lhe responder em síntese. E assim direi que deve visar uma Informação rigorosa, isenta, pluralista, independente de todos os poderes, acessível ao grande público, interessante ao nível do espectáculo, propiciadora dos valores nacionais, da democracia pluralista e da pessoa humana.” O segundo diz respeito à já então próxima eleição do Presidente da República. Maria João Avillez, depois de ter ouvido de Proença de Carvalho que no anterior acto eleitoral a exclusão do PCP dos “face a face” que a RTP realizou tinha resultado de “uma sóbria análise que o Executivo só poderia alternar entre a AD e a FRS”, provocou-o com a pergunta: “Foi esse também o raciocínio que usou em relação aos candidatos à Presidência da República? Simplesmente aqui, parece que correu pior... Estou-me a lembrar de Pires Veloso...28 ”Resposta de Proença: “Sim. Durante a campanha eleitoral, a RTP cumprirá escrupulosamente a lei, concedendo a todos os candidatos uma rigorosa igualdade de oportunidades. Antes dessa fase e sendo à RTP que compete decidir sobre a sua programação, tendo em conta os objectivos da sua existência, deve fazê-lo de modo a procurar esclarecer o melhor possível os portugueses sobre as várias hipóteses possíveis e viáveis. E nessa medida considera errado escamotear a realidade que é a do peso relativo dos diversos candidatos em função das forças politicamente organizadas que os apoiam, da própria representatividade pessoal na vida pública nacional, etc.”
Li no DN de Lisboa um texto do jornalista Sérgio Barreto Mota sobre o Presidente da Petrobrás: "Quem vê o presidente da petrolífera Petrobrás - a maior empresa do Brasil - Sérgio Gabrielli, a fazer negócios pelo mundo fora, ninguém imagina que já foi um importante militante político de esquerda. Mesmo sem ter pegado em armas contra o governo militar brasileiro, que durou de 1964 a 1986, Gabrielli foi preso e afirma ter sofrido castigos físicos. Foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, com a qual a gestão militar brasileira punia as pessoas consideradas perigosas. Mas isso faz parte do passado.Hoje, Gabrielli mal tem tempo para a família, composta por mulher e um casal de filhos, um rapaz de 26 anos e uma rapariga de 18. Vive entre a elite brasileira e, nas suas viagens pelo mundo, convive com presidentes de empresas de petróleo, ministros e xeques. José Sérgio Gabrielli de Azevedo e, como no Brasil se dá preferência ao nome paterno, a assinatura é feita com José Sérgio Azevedo - embora seja mundialmente conhecido como Gabrielli. Nascido em 1949, portanto com 58 anos, Gabrielli tem descendência materna de italianos, da cidade de Lucca, na Toscana. Formou-se em economia numa região conhecida pela música e a excessiva informalidade, a Baía".
Um interessante texto da jornalista do Publico, Rita Siza, emitido de Filadélfia, Pensilvânia, quando acompanhava as eleições americanas: "Amber tem umas longas unhas pintadas de cor-de-rosa choque, um piercing na sobrancelha direita e umas calças de ganga justas por baixo de um avental negro. Pela longa mesa de madeira, vai distribuindo travessas: pão com manteiga de maçã, frango frito, puré de batatas com molho, lombo fatiado, cenoura cozida, salsicha assada, pickles de sabor adocicado. Depois diz aos convivas que acidentalmente partilham a refeição: "Sirvam-se e rodem os pratos. É assim que fazem os amish."Os Amish são a razão de ser do restaurante (e complexo comercial) da Plain and Fancy Farm, uma centena de metros antes dos limites oficiais da povoação de Intercourse (originalmente chamada Cross Keys), em pleno condado de Lancaster, onde aquele grupo religioso anabaptista forma uma comunidade de cerca de 40 mil pessoas. Quem viaja até lá cruza-se na estrada com as pequenas carruagens negras onde viajam as famílias amish, e apercebe-se do seu quotidiano rural ao ver as suas quintas e terras de cultivo, alinhadas pelas vedações brancas.Mas só muito dificilmente se consegue conviver com os amish, que levam uma vida separada da do resto dos "ingleses" - que é a forma como se referem à restante população. "Alguns trabalham aqui. A família que explora os passeios de carroça é amish, por exemplo, e há muitos carpinteiros e outros artesãos que trabalham nos ateliers para turistas", explica Amber. "Quer dizer, eles estão aqui por todo o lado", corrige, fazendo um amplo gesto circular com o braço. "Não é difícil vê-los. Mas falar com eles? Boa sorte", deseja a jovem.Aos fins-de-semana, quando as estradas se enchem de minivans familiares que "vêm para ver os amish", o condado parece um parque temático em miniatura, com a população que segue a tradição suíça menonista importada para os Estados Unidos no final do século XVII a fazer o papel de figurante. Pela berma da estrada sucedem-se os estabelecimentos comerciais com a palavra "Amish" pintada na montra: restaurantes, antiquários, lojas de colchas, cestos e velas, motéis e bed and breakfasts - todos eles repletos de "ingleses": os locais que lá trabalham e os turistas que os visitam. "Estamos aqui por causa das eleições", explicamos depois de trocar umas frases de circunstância com um pequeno grupo de homens e mulheres vestidos com os trajes tradicionais dos amish. "Eleições?", repetem, não com surpresa, mas talvez com indiferença. Não, não, abanam a cabeça. Não têm nada para dizer sobre isso, dizem. Mas porquê, não lhes interessa?, provoca um dos repórteres. Não, continuam a abanar a cabeça, sem ser claro se o gesto é a resposta à pergunta ou apenas a confirmação de que não querem falar sobre o assunto.Os amish de Lancaster, que seguem a "Velha Ordem", não usam electricidade e por isso não assistem aos debates políticos na televisão; não têm telefones e assim são imunes às chamadas constantes das campanhas eleitorais e não frequentam os lugares dos "ingleses", pejados de cartazes com os nomes dos candidatos presidenciais. Isso não quer dizer que não estejam informados sobre a disputa eleitoral que amanhã se decide no seu estado: afinal, a campanha ocupa diariamente metade dos jornais, a sua única fonte de informação.Mas os amish, que não se registam como beneficiários da Segurança Social nem aceitam qualquer subsídio ou forma de assistência do Governo, não são a audiência mais sensível aos temas repetidos pelos democratas na Pensilvânia: a perda de empregos por causa da globalização, a crise do mercado imobiliário ou a subida do preço do petróleo, a necessidade de garantir seguros de saúde para toda a população ou facilitar os empréstimos para estudantes universitários... "Não, a campanha eleitoral não passa por aqui", constatam".
Segundo o "El Pais", "el Consejo de Estado de Cuba ha destituido al ministro de Educación, Luis Ignacio Gómez, y ha nombrado en su lugar a Ana Elsa Velázquez. Se trata del primer cambio en el Gobierno en la isla desde que el general Raúl Castro reemplazó a su hermano Fidel en la presidencia. Un comunicado divulgado el martes por medios oficiales indica que el relevo se ha producido “a propuesta del Buró Político del Comité Central” del Partido Comunista, el único permitido en la isla, del que sigue siendo primer secretario Fidel Castro, de 81 años (Raúl, de 76, es segundo secretario). La nota no da razones para el cambio, pero destaca los 30 años de experiencia de Velázquez en instituciones educativas, la última como rectora del Instituto Superior Pedagógico Frank País, de la ciudad oriental de Santiago de Cuba. Durante los 19 meses en los que Raúl Castro fue presidente interino, por la enfermedad intestinal que postró a su hermano mayor en julio de 2006, hubo cambios en cuatro ministerios: Informática y Comunicaciones, Transportes, Justicia y Recursos Hidráulicos. Además, al asumir la presidencia, el general Castro, hasta entonces ministro de las Fuerzas Armadas, dejó en ese cargo a Julio Casas Regueiro".