Publicidade: Os acidentes acontecem
Escreve a jornalista do DN de Lisboa, Patricia Veigas, que "a nova ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón, colocou um ponto final à censura que desde a semana passada afectava os computadores dos quartéis das Forças Armadas e do seu próprio Ministério. A partir de agora, os funcionários, tanto os civis como os militares, podem voltar a aceder a sites como o do Ebay, da Marca ou da Interviú. O primeiro é um endereço de leilões on-line, o segundo um diário desportivo, a terceira uma revista de actualidade que esta semana traz na capa a alegada namorada de Ronaldo, nua. O acesso à Internet tinha sido limitado devido a uma sobrecarga na rede ministerial e isso originou protestos por parte de algumas associações de militares que, dizem, se recusam a ser "cidadãos de segunda". A restrição foi, no entanto, imposta por pessoal técnico, segundo um porta-voz do departamento de Chacón, citado pelas agências, depois de se constatar que, a dada hora do dia, a rede do Ministério colapsava. Agora, um aumento de capacidade, veio ontem devolver aos funcionários da Defesa o livre acesso à Net. No mesmo dia a ministra visitou os militares espanhóis no Líbano. E, por que talvez seja mais fácil fazer queixas a uma mulher, que ainda por cima está grávida de sete meses, o general García Sanchez aproveitou para lembrar que os veículos de que dispõem "têm já muitos anos" e estão no final da sua vida útil. A mensagem subliminar é a de que é preciso comprar material novo. Os militares ofereceram ainda à ministra algumas prendas para o seu bebé".
Com este título e da autoria do jornalista do Publico, Miguel Gaspar, escreve o jornal: "Maio foi a história das mulheres e dos homens que há 40 anos se encontraram nas ruas de Paris partilhando um desejo de liberdade sem precedente e desafiaram os poderes e os costumes exigindo o impossível - e exigindo-o já. Sede de um eterno presente, Maio, se tivesse uma banda sonora, poderia ser La valse a mille temps de Brel, na qual Paris qui marque la mesure/ laisse enfin exploser sa joie ("Paris que marca o tempo/ deixa enfim explodir a sua alegria"). A Paris que marca o tempo (no sentido musical) torna-se também a Paris que marca o tempo histórico. E é a valsa de todos os tempos possiveís.A canção é citada pelo antigo soixante huitard André Glucksmann em Mai 68 Expliqué à Nicolas Sarkozy (o livro que assina com o filho, Raphaël, e onde tenta justificar um controverso apoio eleitoral ao Presidente francês), como se Paris em 68 tivesse sido esse momento - eventualmente irrepetível? - em que uma cidade se teria libertado da História, como uma valsa que já não estivesse confinada a um compasso de três tempos. Talvez seja por isso que o Maio em que se decretou que dois e dois já não eram necessariamente quatro seja uma história de mil tempos, mas também mil vezes contada. 2008, já passaram 40 anos, a memória regressa. Em parte porque nunca saberemos se o próprio Maio irá voltar. O sociólogo Jean-Pierre Le Goff fazia essa pergunta em Mai 68: L"Héritage Impossible, escrito na penúltima estação em que o comboio da memória de 68 parou (1998): "Quando os conflitos sociais ganham dimensão, a referência regressa sempre: iremos conhecer um novo Maio de 68?"Maio, a "divina surpresa" (segundo Le Goff) que ninguém antecipava na França de 1968 que "se aborrecia", como se escreveu num editorial que ficaria célebre; Maio, a cidade das barricadas, da greve geral, dos slogans escritos não se sabe por quem, da revolta inspirada na crítica do quotidiano do movimento situacionista de Guy Débord e na afirmação da ideia de emancipação e de autonomia dos indivíduos de Cornelius Castoriadis e do grupo Socialismo ou Barbárie, Maio que deixou uma marca no tempo que porventura ultrapassa um mês de festa e de revolta espontânea, encerrado no fim do mês com a enorme manifestação a favor de De Gaulle e a posterior e esmagadora vitória da direita nas legislativas antecipadas".
Da autoria dos jornalistas Inês Santinhos Gonçalves e Bruno Nunes, o Publico recordou o aniversário do Maio de 68: "Quem não sabe, não sabe, concluímos depois de falar com 300 estudantes universitários em Lisboa sobre o Maio de 68. Sabem o que foi? Cinquenta por cento disseram logo que não. Depois, quando perguntámos exactamente o que era o Maio de 68 aos que tinham dito que sabiam, 21 por cento deu, afinal, uma resposta errada. No total, 60 por cento dos estudantes não reconheciam o acontecimento.Entre as respostas sobre o que, supostamente, foi o Maio de 68, ouvimos coisas como "foi a revolta estudantil em Coimbra", foi a "tentativa de golpe militar falhado que deu azo ao de 1974" e "foi o primeiro ano em que se comemorou o 1º de Maio".Calma, sugere Fernando Rosas, historiador e professor Catedrático da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e dirigente do Bloco de Esquerda. "Se fossem perguntar aos estudantes da minha geração o que tinha sido o Ultimato ou o Regicídio, também havia muitos que não sabiam. As coisas têm que ser relativizadas."O P2 entrevistou 309 estudantes de seis faculdades lisboetas, de áreas de estudo distintas. A maioria dos estudantes abordados aceitou participar e os resultados não podiam ser mais díspares: 70 por cento dos entrevistados que frequentam cursos de áreas científicas (Faculdade de Ciências, Faculdade de Economia e Instituto Superior Técnico), nunca tinham ouvido falar do Maio de 68. Para alguns a pergunta pareceu até bastante despropositada: "Em 68 ainda não tinha nascido, como é que querem que eu saiba?", disse ao P2 uma aluna do IST.Na área das humanidades (Faculdade de Letras, Faculdade de Direito e Faculdade de Belas-Artes), os resultados foram opostos, com 75 por cento dos alunos a responderem "sim". À pergunta "sabe o que foi o Maio de 68?", a área de estudo revelou-se um indicador decisivo. Já o género foi indiferente, com quase os mesmos "sins" e "nãos" em homens e mulheres. A idade ou o ano que frequentavam também não revelaram diferenças.Caetano esteve lá?Perante o resultado do nosso inquérito não científico, Fernando Rosas defende que os estudantes saberiam mais sobre o Maio de 68 "se houvesse um movimento associativo estudantil mais politizado, mais activo, mais interveniente, onde esse património provavelmente circularia de forma mais presente".
(...)"Ainda mal se arrumara a casa e já se estava a partir para outra: as eleições presidenciais. Lá chegaremos, em breve, e ao dramatismo que as antecedeu. A pausa que fazemos é para introduzir dois excertos de uma entrevista de Proença de Carvalho a Maria João Avillez 27 que poderão ajudar a compreender os seus pontos de vista. O primeiro é sobre o critério que defendia para uma política de Informação televisiva. À pergunta da jornalista, Proença concedeu: “Terei de lhe responder em síntese. E assim direi que deve visar uma Informação rigorosa, isenta, pluralista, independente de todos os poderes, acessível ao grande público, interessante ao nível do espectáculo, propiciadora dos valores nacionais, da democracia pluralista e da pessoa humana.” O segundo diz respeito à já então próxima eleição do Presidente da República. Maria João Avillez, depois de ter ouvido de Proença de Carvalho que no anterior acto eleitoral a exclusão do PCP dos “face a face” que a RTP realizou tinha resultado de “uma sóbria análise que o Executivo só poderia alternar entre a AD e a FRS”, provocou-o com a pergunta: “Foi esse também o raciocínio que usou em relação aos candidatos à Presidência da República? Simplesmente aqui, parece que correu pior... Estou-me a lembrar de Pires Veloso...28 ”Resposta de Proença: “Sim. Durante a campanha eleitoral, a RTP cumprirá escrupulosamente a lei, concedendo a todos os candidatos uma rigorosa igualdade de oportunidades. Antes dessa fase e sendo à RTP que compete decidir sobre a sua programação, tendo em conta os objectivos da sua existência, deve fazê-lo de modo a procurar esclarecer o melhor possível os portugueses sobre as várias hipóteses possíveis e viáveis. E nessa medida considera errado escamotear a realidade que é a do peso relativo dos diversos candidatos em função das forças politicamente organizadas que os apoiam, da própria representatividade pessoal na vida pública nacional, etc.”
Li no DN de Lisboa um texto do jornalista Sérgio Barreto Mota sobre o Presidente da Petrobrás: "Quem vê o presidente da petrolífera Petrobrás - a maior empresa do Brasil - Sérgio Gabrielli, a fazer negócios pelo mundo fora, ninguém imagina que já foi um importante militante político de esquerda. Mesmo sem ter pegado em armas contra o governo militar brasileiro, que durou de 1964 a 1986, Gabrielli foi preso e afirma ter sofrido castigos físicos. Foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, com a qual a gestão militar brasileira punia as pessoas consideradas perigosas. Mas isso faz parte do passado.Hoje, Gabrielli mal tem tempo para a família, composta por mulher e um casal de filhos, um rapaz de 26 anos e uma rapariga de 18. Vive entre a elite brasileira e, nas suas viagens pelo mundo, convive com presidentes de empresas de petróleo, ministros e xeques. José Sérgio Gabrielli de Azevedo e, como no Brasil se dá preferência ao nome paterno, a assinatura é feita com José Sérgio Azevedo - embora seja mundialmente conhecido como Gabrielli. Nascido em 1949, portanto com 58 anos, Gabrielli tem descendência materna de italianos, da cidade de Lucca, na Toscana. Formou-se em economia numa região conhecida pela música e a excessiva informalidade, a Baía".
Um interessante texto da jornalista do Publico, Rita Siza, emitido de Filadélfia, Pensilvânia, quando acompanhava as eleições americanas: "Amber tem umas longas unhas pintadas de cor-de-rosa choque, um piercing na sobrancelha direita e umas calças de ganga justas por baixo de um avental negro. Pela longa mesa de madeira, vai distribuindo travessas: pão com manteiga de maçã, frango frito, puré de batatas com molho, lombo fatiado, cenoura cozida, salsicha assada, pickles de sabor adocicado. Depois diz aos convivas que acidentalmente partilham a refeição: "Sirvam-se e rodem os pratos. É assim que fazem os amish."Os Amish são a razão de ser do restaurante (e complexo comercial) da Plain and Fancy Farm, uma centena de metros antes dos limites oficiais da povoação de Intercourse (originalmente chamada Cross Keys), em pleno condado de Lancaster, onde aquele grupo religioso anabaptista forma uma comunidade de cerca de 40 mil pessoas. Quem viaja até lá cruza-se na estrada com as pequenas carruagens negras onde viajam as famílias amish, e apercebe-se do seu quotidiano rural ao ver as suas quintas e terras de cultivo, alinhadas pelas vedações brancas.Mas só muito dificilmente se consegue conviver com os amish, que levam uma vida separada da do resto dos "ingleses" - que é a forma como se referem à restante população. "Alguns trabalham aqui. A família que explora os passeios de carroça é amish, por exemplo, e há muitos carpinteiros e outros artesãos que trabalham nos ateliers para turistas", explica Amber. "Quer dizer, eles estão aqui por todo o lado", corrige, fazendo um amplo gesto circular com o braço. "Não é difícil vê-los. Mas falar com eles? Boa sorte", deseja a jovem.Aos fins-de-semana, quando as estradas se enchem de minivans familiares que "vêm para ver os amish", o condado parece um parque temático em miniatura, com a população que segue a tradição suíça menonista importada para os Estados Unidos no final do século XVII a fazer o papel de figurante. Pela berma da estrada sucedem-se os estabelecimentos comerciais com a palavra "Amish" pintada na montra: restaurantes, antiquários, lojas de colchas, cestos e velas, motéis e bed and breakfasts - todos eles repletos de "ingleses": os locais que lá trabalham e os turistas que os visitam. "Estamos aqui por causa das eleições", explicamos depois de trocar umas frases de circunstância com um pequeno grupo de homens e mulheres vestidos com os trajes tradicionais dos amish. "Eleições?", repetem, não com surpresa, mas talvez com indiferença. Não, não, abanam a cabeça. Não têm nada para dizer sobre isso, dizem. Mas porquê, não lhes interessa?, provoca um dos repórteres. Não, continuam a abanar a cabeça, sem ser claro se o gesto é a resposta à pergunta ou apenas a confirmação de que não querem falar sobre o assunto.Os amish de Lancaster, que seguem a "Velha Ordem", não usam electricidade e por isso não assistem aos debates políticos na televisão; não têm telefones e assim são imunes às chamadas constantes das campanhas eleitorais e não frequentam os lugares dos "ingleses", pejados de cartazes com os nomes dos candidatos presidenciais. Isso não quer dizer que não estejam informados sobre a disputa eleitoral que amanhã se decide no seu estado: afinal, a campanha ocupa diariamente metade dos jornais, a sua única fonte de informação.Mas os amish, que não se registam como beneficiários da Segurança Social nem aceitam qualquer subsídio ou forma de assistência do Governo, não são a audiência mais sensível aos temas repetidos pelos democratas na Pensilvânia: a perda de empregos por causa da globalização, a crise do mercado imobiliário ou a subida do preço do petróleo, a necessidade de garantir seguros de saúde para toda a população ou facilitar os empréstimos para estudantes universitários... "Não, a campanha eleitoral não passa por aqui", constatam".
Segundo o "El Pais", "el Consejo de Estado de Cuba ha destituido al ministro de Educación, Luis Ignacio Gómez, y ha nombrado en su lugar a Ana Elsa Velázquez. Se trata del primer cambio en el Gobierno en la isla desde que el general Raúl Castro reemplazó a su hermano Fidel en la presidencia. Un comunicado divulgado el martes por medios oficiales indica que el relevo se ha producido “a propuesta del Buró Político del Comité Central” del Partido Comunista, el único permitido en la isla, del que sigue siendo primer secretario Fidel Castro, de 81 años (Raúl, de 76, es segundo secretario). La nota no da razones para el cambio, pero destaca los 30 años de experiencia de Velázquez en instituciones educativas, la última como rectora del Instituto Superior Pedagógico Frank País, de la ciudad oriental de Santiago de Cuba. Durante los 19 meses en los que Raúl Castro fue presidente interino, por la enfermedad intestinal que postró a su hermano mayor en julio de 2006, hubo cambios en cuatro ministerios: Informática y Comunicaciones, Transportes, Justicia y Recursos Hidráulicos. Además, al asumir la presidencia, el general Castro, hasta entonces ministro de las Fuerzas Armadas, dejó en ese cargo a Julio Casas Regueiro".
Da autoria do jornalista do Publico, Miguel Gaspar, transcrevemos com a devida vénia um texto que nos parece extremamente importante: "O primeiro-ministro que não se enganava deu lugar a um Presidente que liga pouco às dúvidas. Mas aquilo de que Cavaco Silva nos quer realmente falar é do futuroEnquanto primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva definiu-se, um dia, como um homem que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. O soundbite fez o seu caminho nos anos dos governos de maioria absoluta e ficou como imagem de marca do cavaquismo. De forma involuntária, eventualmente. Mas nesse soundbite o primeiro-ministro descrevia-se a si próprio de uma forma que colava que nem uma luva com a imagem de governante tecnocrata e com tiques autoritários.O cavaquismo não era suposto ter transitado do Cavaco primeiro-ministro para o Cavaco Presidente da República. Mas no percurso de dez anos entre São Bento e Belém a dúvida não parece tê-lo assaltado. Quando se olha a lista das palavras mais pronunciadas pelo Presidente desde a tomada de posse, em 2006, até ao princípio deste ano (ficou de fora a visita à Madeira), a palavra "dúvida" foi pronunciada, mas duas vezes. Tantas, aliás, quanto o advérbio de modo "provavelmente". Parece claro que é o mesmo homem que raramente duvida e nunca se engana que transitou para Belém. Mesmo se o cavaquismo ficou pelo caminho. Se a utilizar hoje, na Assembleia da República, no seu terceiro discurso do 25 de Abril, será um acontecimento. Mais extraordinário, talvez, do que se falasse de cravos. Mas não há lugar para flores nos discursos presidenciais, que por duas vezes mencionam a Sophia do "dia inteiro e limpo". O mesmo número de vezes que são mencionados Sá Carneiro e Jacques Delors, figuras incontornáveis do seu percurso. Mas flores, não.A análise palavra a palavra de qualquer discurso é, em princípio, um jogo potencialmente traiçoeiro. O método utilizado pelo P2 para analisar as palavras do Presidente é semelhante ao que usámos para analisar o que disse José Sócrates (edição 20/02/08). Isola e quantifica as palavras, mas retira-as do contexto. É ao mesmo tempo um jogo e um método. As palavras mais usadas por Cavaco, enquanto Presidente, são um retrato eventualmente involuntário do que pensa o inquilino de Belém. De qualquer modo, os termos mais vezes registados por este método informático de coar palavras identificam um tema, um sujeito central, nos seus discursos: Portugal. Não a república, não a nação, não a democracia: Portugal. E com maioria absoluta. É a palavra mais vezes usada (635), seguida por "portuguesa" (601 vezes). E para que não restem dúvidas, a terceira mais comum é "país" (549). Somando as três, dá um "cacho" de 1785 referências. É um número que não engana nem permite alimentar dúvidas - Portugal é o núcleo duro, o valor mais importante do discurso do Presidente.

Também do semanário Expresso, transcrevo uma interessante reportagem da autoria da jornalista Cristina Peres, sobre a influência de algumas mulheres que começaram agora a ter maior protagonismo político nos seus países: "Ignacio Lago, professor de Ciência Política da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, a única do país a alguma vez ter tido uma mulher como reitora, disse ao «Expresso»: «É uma mudança brutal: Espanha passou em muito pouco tempo de par de outros países europeus refractários a reconhecer a importância social das mulheres para a liderança das reformas.» A imagem de uma mulher jovem, grávida de sete meses, a passar revista ao Exército foi manchete em todos os jornais espanhóis na semana passada e obrigou a reflectir sobre a velocidade que o chefe do Governo de Espanha imprimiu às reformas no seu país. Ao nomear Carme Chacón como ministra da Defesa do seu novo Executivo, José Luiz Rodríguez Zapatero arriscou ficar para a História como «O Reformador». O diário conservador «El Mundo» titulou a sua edição «Chacón entra para o Guiness»; e, lá dentro, o editorial não resistia à crítica: «O perfil da nova ministra choca indubitavelmente com os valores tradicionais e a cultura do Exército espanhol.» Mas a verdade é que, apesar dos desafios anteriormente lançados às instituições mais intocáveis do país, como a Igreja, Zapatero conseguiu surpreender ao formar um Governo paritariamente constituído por ministras. A imagem de Carme Chacón é, todavia, particularmente simbólica do momento que Espanha vive. Uma mulher jovem detém uma das mais altas representações do Estado a par de homens. Grávida do primeiro filho aos 37 anos, é a prova de que as carreiras profissionais das espanholas passaram a ter, senão prioridade, pelo menos tanta importância como as suas vidas pessoais. A gravidez de sete meses fá-la-á parar, dentro de dois meses, por um período de tempo que será suportado pela Segurança Social (uma regalia que não existia há 40 anos) e, mais importante, sublinha Lago, «a competência para os cargos deixa de depender do género da pessoa escolhida para o desempenhar». A mensagem do programa político de Zapatero é clara. A realidade política passa a espelhar a realidade social do país e a paridade passa de virtual a real: já não há só quotas para fazer cumprir a lei em lugares secundários e sem perspectiva de reeleição, mas mulheres colocadas nos mais altos cargos do Governo de Espanha. «A revista das tropas feita por uma mulher grávida é histórica e prova que Zapatero quer acabar com o preconceito de que as mulheres grávidas estão diminuídas nas suas capacidades para cumprir funções públicas», disse ao «Expresso» Elza Pais, presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género. Relativamente a Portugal, a presidente reserva o seu juízo: «Veremos... Para o ano há eleições.» E conclui: «Temos de pôr fim ao tempo que nos permitia desperdiçar recursos. Está provado que as mulheres são um extraordinário recurso para a boa governação.» De «O Reformador», Zapatero bem poderá passar a «O Moderno». Os espanhóis agradecem e adaptam-se. Ao que parece, as reformas tendem a ser historicamente radicais. Há 40 ou 50 anos, «as mulheres não tinham qualquer expressão política nem social»; há 30 anos, «ser homossexual era ilegal e passível de perseguição legal» e, hoje, Espanha é «o primeiro país em que os casamentos homossexuais gozam de direitos iguais aos dos casamentos heterossexuais», disse ainda o professor Lago. Prova de que os espanhóis falam a uma só voz foi a reacção da presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, à chacota a que as escolhas do chefe do Governo espanhol foram sujeitas pelo recém-eleito (pela terceira vez) chefe do Executivo italiano, Silvio Berlusconi. Ao comentário de que o Executivo espanhol era «demasiado cor-de-rosa» e, por isso, «difícil de controlar», Aguirre respondeu dizendo que as nomeações das ministras tinham sido «uma das melhores coisas» que Zapatero fizera. Esperanza Aguirre é uma das principais líderes do Partido Popular e está em vias de disputar a liderança ao seu actual presidente, Mariano Rajoy. A coincidência no tempo das eleições italianas prova que a «velocidade» dos países está por todas as formas ligada aos seus líderes. Silvio Berlusconi resolveu dar o ar da sua «modernidade» ao nomear para ministra da Família Mara Cafagna, uma ex-Miss Itália e ex-deputada pela Forza Italia antes responsável pelo movimento das mulheres naquele partido. E não poupou comentários ao seu estilo bem conhecido, justificando a fraca representação feminina no seu Executivo: «Não podemos fazer em Itália o mesmo que Zapatero, porque há uma prevalência de homens na política e não é fácil encontrar mulheres qualificadas.» A tendência não fica por aqui. Antes de Zapatero, em França, Nicolas Sarkozy já fora referido pela imprensa nacional como tendo constituído um Governo «muito diferente dos anteriores», com a nomeação de sete ministras entre os 15 ministérios existentes. Depois da crise das periferias, altura em que Sarkozy era ministro do Interior e teve de se confrontar com a resolução da revolta das comunidades de origem árabe moradoras nas periferias das cidades francesas, o Presidente Sarkozy marcou o Governo com um facto inédito em França: para a pasta da Justiça chamou Rachida Dati, uma mulher descendente de um casal constituído por um argelino e uma marroquina. Sejam quais forem as causas imediatas destas escolhas, a tendência parece imparável. As populações, mais justamente representadas, agradecem".
Numa excelente reportagem de Micael Pereira (texto) e Ana Baião (fotografia), o seman´+ario Exopresso publicou hoje, com o título "Os terroristas da Madeira Livre" que a seguir transcrevemos com a devida vénia: 
Da autoria do jornalista do Publico, Pedro Ribeiro, deixo à reflexão: "No início do mês, a HNN (History News Network, instituição ligada à Universidade George Mason, da Virgínia, próximo de Washington) publicou um artigo do historiador Robert McElvaine. O artigo sumariava uma "sondagem informal" a 109 "historiadores profissionais". Nessa sondagem, 98,2 por cento (ou seja, todos menos dois) dos historiadores avaliaram a presidência de George W. Bush como "um fracasso". Além disso, 61 por cento dos inquiridos descreveram Bush como o pior Presidente na História dos Estados Unido da América. Bush só abandonará a Casa Branca a 20 de Janeiro de 2009. Será justo avaliar historicamente uma presidência que ainda não acabou? Serão sequer os historiadores as melhores pessoas para avaliar o êxito ou o fracasso de uma presidência? Será possível ter já em 2008 um julgamento distanciado da presidência de George W. Bush? "Todos essas questões são relevantes, mas não são suficientes para impor o silêncio aos historiadores", disse à Pública Robert McElvaine. "Nenhum julgamento [histórico] é totalmente distanciado." Mas como é que se pode chegar a um consenso sobre o que é um Presidente "bom" ou "mau"? Por exemplo, Andrew Jackson (Presidente entre 1827 e 1835) é geralmente considerado um "bom" Presidente (a sua imagem aparece nas notas de 20 dólares) - mas foi responsável pela opressão e chacina de centenas de milhares de índios americanos. Mesmo hoje, o seu julgamento histórico dependeria da perspectiva de quem avalia. Isso seria ainda mais óbvio no caso de presidentes da era contemporânea, capazes de polarizar opiniões em esquerda/direita, como Ronald Reagan, Bill Clinton - ou George W. Bush. "Não há dúvida de que a subjectividade faz parte das nossas avaliações", responde McElvaine. "Contudo, os erros da Administração Bush que foram listados pelos historiadores nesta sondagem são do género que preocupam tanto a esquerda como a direita: guerra preventiva, minar a Constituição, enormes aumentos da despesa pública e dos défices, etc." No seu artigo na HNN, Robert McElvaine confronta outras duas críticas à sua sondagem. Primeiro, admite que a sondagem não é "uma amostra científica de historiadores", embora note que entre os inquiridos há historiadores de múltiplas correntes políticas, e que a amostra inclui "vários vencedores dos prémios Pulitzer e Bancroft". Segundo, que "ainda é muito cedo": "Não sabemos quais os resultados das acções de Bush no futuro." O próprio George W. Bush subscreve este ponto de vista. "A história: não saberemos", disse Bush ao jornalista Bob Woodward em 2003. "Já estaremos todos mortos".
Do jornal "Publico": "É a primeira biografia de longo fôlego de Francisco da Costa Gomes, que foi Presidente da República entre 1974 e 1976. Marechal Costa Gomes, no Centro da Tempestade é uma obra do investigador Luís Nuno Rodrigues, que hoje é lançado, onde se analisa o percurso do militar e do político que foi Presidente da República durante um dos períodos mais conturbados da história recente, o chamado Processo Revolucionário em Curso (PREC). Há muitos episódios nesta biografia de quase 400 páginas. Escolhemos quatro, alguns dos quais com novas e polémicas perspectivas dadas pela consulta da documentação norte-americana desclassificada recentemente. Um é descrito pelos vários telegramas trocados entre a embaixada dos Estados Unidos em Lisboa e o Departamento de Estado, como a assistência dos americanos na evacuação dos portugueses em Angola em troca do eventual afastamento do primeiro-ministro Vasco Gonçalves. A mesma correspondência também analisa a possível "chantagem" do PCP junto do Presidente, concluindo a embaixada que esta chantagem é improvável, mas que o único filho de Costa Gomes (que se suicidou mais tarde) era membro da juventude comunista e próximo da família Gonçalves.
Segundo a jornalista Cristina Pombo, do "Expresso", Carme Chacón "restringiu o acesso a páginas online desportivas e de ócio. A ministra, que acaba de tomar posse, alega "saturação" na rede durante os horários laborais. 'Marca', 'As' ou 'Ebay' são agora sítios interditos a todos os trabalhadores do Ministério da Defesa espanhol, quartéis generais do Exército, Força Aérea e Marinha. A restrição, justificada pela "saturação" registada na rede durante o horário de trabalho, foi comunicada aos trabalhadores através de uma circular interna. A proibição estende-se a uma série de páginas não especificadas, refere o documento, acrescentando ainda que a sua consulta dependerá de uma autorização expressa. Muitos dos afectados viram também negado o acesso a páginas pessoais e fóruns, estes últimos cada vez mais utilizados por peritos militares e civis para intercâmbio de conhecimentos sobre temas de defesa nacional e internacional.
Com este título, li no Publico que "Hillary Clinton e Barack Obama, os candidatos democratas às presidenciais norte-americanas, enfrentaram-se ontem num debate de 90 minutos na cidade de Filadélfia, a poucos dias das primárias no estado de Pensilvânia, na próxima terça-feira. Boa parte do debate centrou-se nas recentes "gaffes" e "passos em falso" dos dois candidatos e no objectivo comum dos dois: derrotar o candidato republicano John McCain.O debate, apesar de tenso, foi cordial. Houve até tempo para alguns elogios mútuos. Tanto Clinton como Obama concordaram que o seu opositor terá grandes hipóteses de vencer a McCain. "Sim, sim, sim", disse e repetiu Hillary, quando pressionada a responder sobre a possibilidade de Obama vencer. Mas a sua beligerância manifestou-se quando acusou o senador do Illinois de ser "demasiado vulnerável" frente ao opositor republicano, e quando disse, taxativamente, que acha que fará um melhor trabalho. "Obviamente! Por isso é que aqui estou", acrescentou Clinton, rematando com um "acredito que sou uma candidata melhor e mais forte que o senador McCain".Contudo, seja qual for a decisão final sobre o candidato democrata, Clinton assegurou que fará "todo o possível" para que o próximo inquilino da Casa Branca a partir de Janeiro do próximo ano seja um democrata. "Esse é o objectivo absoluto", assinalou a senadora de Nova Iorque.Por seu lado, Obama também disse que Hillary poderá ganhar, afirmando que apoiará a ex-primeira-dama na sua nomeação democrata, se for ela a vencedora da "contenda" entre os dois. "Uma coisa é certa: chegando Agosto, quando estivermos em Denver, a Convenção Democrata falará a uma única voz", afirmou. Nenhum dos dois candidatos quis avançar se escolheria o seu adversário para o posto de vice-Presidente".
Li no "Publico" que "o Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad voltou hoje a pôr em causa a origem terrorista dos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, qualificando-os de "acontecimento suspeito", durante um discurso retransmitido pela televisão pública iraniana."Há quatro ou cinco anos, um acontecimento suspeito ocorreu em Nova Iorque. Um edifício desmoronou-se e eles disseram que 3000 pessoas morreram (...) eles nunca divulgaram os seus nomes, mas sob esse pretexto, atacaram o Afeganistão e o Iraque, e depois um milhão de pessoas morreram", declarou Ahmadinejad, num discurso a partir da cidade sagrada de Qom (no centro do Irão).Esta é a terceira vez em poucos dias que Ahmadinejad fala sobre o tema do 11 de Setembro, depois de, no ano passado, ter dado a entender que o Holocausto judeu nunca existiu, ideia que veio a desmentir mais tarde. Já no passado dia 8 de Abril o Presidente iraniano tinha acusado os Estados Unidos de terem usado os atentados de 11 de Setembro como "pretexto" para as suas intervenções no Afeganistão e no Iraque.Ahmadinejad, eleito em Junho de 2005, é autor frequente de declarações polémicas, a maioria das quais tem como alvo Israel, inimigo histórico do Irão. Ahmadinejad já pediu, numa ocasião anterior, que se "risque Israel do mapa", frase que provocou uma onda de indignação por todo o mundo".
Segundo o jornalista Manuel Ricardo Ferreira, do DN de Lisboa, "Bitter: amargo, doloroso, triste, penoso, diz-nos o dicionário, entre outras traduções que a palavra inglesa pode ter. Bitter é a palavra que, de repente, fez descarrilar a campanha de Barack Obama e deu novo fôlego à de Hillary Clinton para a nomeação democrata às presidenciais de Novembro.Esta história começou no domingo 6 de Abril, quando na Califórnia, numa sessão de angariação de fundos à porta fechada, sem jornalistas, Obama disse perceber porque alguns eleitores trabalhadores ficam frustrados com a situação económica em que se encontram e votam com base numa única questão: "Não é surpreendente que então fiquem amargurados (bitter), que se agarrem (a questões) de armas ou religião, ou antipatia para com pessoas que não se parecem com eles, ou ao sentimento anti-imigrante, ou ao sentimento anti-comércio livre como forma de explicarem as suas frustrações". O ter sido dito à porta fechada não impediu que aparecesse transcrito no blogue de Barbara Huffington. Depois apareceu uma gravação audio - e fala-se na existência de uma gravação vídeo.A informação 24/7 exige ser alimentada continuamente, e o bitter deu para reviver durante a última semana o comentário político radiofónico e televisivo que anda sem falta de assunto em período chocho das campanhas e em que a administração Bush é cada vez menos relevante em política interna.E foi uma inesperada bóia de salvação para Hillary Clinton, numa altura em que precisava de fazer esquecer as últimas gaffes (a história da Bósnia, as contradições sobre porte de arma, etc). O novo mote: Obama é arrogante, elitista e está desligado da realidade da classe trabalhadora.A senadora por Nova Iorque desconstruiu a frase de Obama e utilizou cada um dos pontos para lançar a corda ao cobiçado voto trabalhador. Num comício para operários em Indianapolis, afirmou que "as pessoas de fé que conheço não se 'agarram' à religião por estarem amarguradas. As pessoas abraçam a fé não porque sejam materialmente pobres, mas por serem espiritualmente ricas. Estou também em desacordo com a afirmação do senador Obama de que as pessoas deste país se 'agarram às armas' e têm certas atitudes sobre imigração ou comércio live simplemente por estarem frustradas. As pessoas não precisam de um presidente que olhe para elas de alto. Precisam de um presidente que as defenda".
A República Federal da Alemanha é constituída por 16 Estados Federados: Baden-Württemberg, Baixa Saxônia, Baviera, Berlim, Brandemburgo, Bremen, Hamburgo, Hessen, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Renânia do Norte-Vestfália, Renânia-Palatinado, Sarre, Saxônia, Saxônia-Anhalt, Schleswig-Holstein e Turíngia. Antes da unificação, em 1990, a República Federal da Alemanha era formada por 11 estados – Baden-Württemberg, Baixa Saxônia, Baviera, Berlim, Bremen, Hamburgo, Hessen, Renânia do Norte-Vestfália, Renânia-Palatinado, Sarre e Schleswig-Holstein – que correspondiam aos territórios de ocupação das potências ocidentais, após a Segunda Guerra Mundial. Com o fim da RDA, a unificação da Alemanha se deu através da adesão dos cinco novos estados do Leste – Brandemburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Saxônia, Saxônia-Anhalt e Turíngia – à República Federal da Alemanha. Berlim voltou a ser a capital do país.
Escreve o jornalista MAURICIO VICENT do "El País" que "la política sin economía no sirve, y eso Raúl lo sabe", dice Jorge, un jubilado de 75 años. Ha visto "los 49 capítulos de la revolución", y se declara "moderadamente optimista" ante las primeras medidas adoptadas por el nuevo presidente cubano, aunque a él -admite- éstas no le "benefician". En el extremo opuesto, Javier, 30 años de edad y uno de los 150.000 cuentapropistas que existen en el país, se reconoce "escéptico absolutamente", pese a ser un privilegiado. "Hasta ahora sólo se han tomado medidas para gastar, ninguna para ganar. Mientras eso no ocurra, y no creo que vaya a ocurrir con este sistema, soy pesimista". A grandes rasgos, entre Jorge y Javier se mueve el sentir de Cuba: unos creen que ahora sí empieza a moverse la rueda del cambio, y que lo que vemos son sólo los primeros pasos; para otros, y no son pocos, este movimiento les pilla descreídos y cansados, lejos de todo. En los 50 días que Raúl Castro lleva al mando, la isla ha asistido al fin de algunas prohibiciones que laceraban a los cubanos y que han sorprendido al mundo. La venta de computadoras, DVD y teléfonos móviles se ha liberado, y también ha caído el veto -vigente por 15 años- que impedía a los cubanos alojarse en hoteles y alquilar coches de turismo. Pero todos estos bienes y servicios han de abonarse en pesos convertibles (CUC), la divisa local, cuyo valor es 24 veces superior al del peso cubano".
La Liga Nacional Escocesa (Scots National League), formada en 1921, fue un grupo inicialmente establecido en Londres que luchaba por la independencia de Escocia, altamente influenciado por el Sinn Féin irlandés. Creó el periódico Scots Independent en 1926 y en 1928 colaboraron con la Asociación Nacionalista Escocesa de la Universidad de Glasgow (Glasgow University Scottish Nationalist Association) a crear el Partido Nacional de Escocia (National Party of Scotland), favorable a un estado independiente escocés. Uno de los fundadores fue Hugh MacDiarmid, un poeta que había comenzado la promover a literatura escocesa, junto a otros relacionados con el Partido Laborista. Cooperaron con el Partido Escocés (Scottish Party), una organización autonomista formada en 1932 por antiguos miembros del Partido Conservador, y en 1934 se unieron para formar el Partido Nacional Escocés (Scottish National Party), el cual, aunque inicialmente era autonomista, posteriormente pasó a apoyar la independencia. El partido sufrió un descenso de apoyo en la década de 1930 cuando la palabra nacionalismo comenzó a estar asociado con el del nacionalsocialismo alemán, pero consiguieron su primer diputado una elección parcial en 1945, aunque lo perdieron en las elecciones generales tres meses después. El Partido Nacionalista Escocés tuvo un notable éxito electoral en la década de 1960, y cuando se encontró petróleo en el Mar del Norte en 1970, pudo contrarrestar los temores acerca de la viabilidad económica de una posible independencia con el lema "Es petróleo de Escocia". Argumentaron que los beneficios de dicho petróleo, recaudados por la hacienda británica, habían beneficiado poco a Escocia, en comparación con otras partes del Reino Unido (cómo Inglaterra).