POLITICA, COMUNICAÇÃO & ELEIÇÕES

sexta-feira, 11 de abril de 2008

"Jorge Coelho: Adeus meu caro amigo"

Com este título o jornalista do Público, Luciano Alvarez, publicou um texto sobre a "despedida" de Jorge Coelho: "Foi a última Quadratura do Círculo (SIC/Notícias) com a participação de Jorge Coelho. Mas o programa de ontem foi mais que o fim ao comentário político do conhecido socialista. Foi o momento que marcou o adeus à vida política activa de um dos homens mais poderosos da política portuguesa dos últimos anos. Uma saída polémica, para não destoar do que foi a sua longa passagem pelos corredores do poder.O "bombeiro" do PS, como muitas vezes foi chamado no partido, o político para os momentos difíceis, o controleiro do aparelho rosa, o homem cujas palavras, muitas vezes gritadas, deixavam em êxtase os militantes socialistas, troca os corredores do poder pela vida empresarial. Vai assumir um cargo de direcção na empresa Mota Engil e é aqui que tudo se complica.A Mota Engil é a maior empresa de construção portuguesa (facturou 1,4 mil milhões de euros em 2007) e Jorge Coelho, que há cerca de sete anos foi ministro das Obras Públicas, negociou com ela, em nome do Estado. Os factos têm sido interpretados por muitos comentadores e políticos de vários partidos como uma contratação cirúrgica, que visa facilitar os negócios da Mota com o Estado.Ontem, o comentador e militante do PSD José Pacheco Pereira criticou no programa a transferência de Coelho da política para a empresa olhos nos olhos, como ninguém ainda tinha feito. De Coelho não se ouviu uma palavra. Viu-se apenas um rosto fechado, muito fechado. Mas Coelho teve um defensor: António Lobo Xavier, o outro interveniente no programa (militante do CDS-PP) e também administrador da Mota Engil. A defesa foi mais frágil que o ataque e a "festa" de despedida de Coelho acabou definitivamente estragada. Foram as críticas de Pacheco que a SIC/Notícias repetiu ontem vezes sem conta nos seus noticiários.O socialista chegou cedo (ainda não eram 10 horas) e bem disposto aos estúdios da SIC, em Carnaxide para a gravação da Quadratura, transmitida às 23 horas de ontem. Trazia vestido um dos seus fatos preferidos, um conjunto verde-escuro de bombazina que usa com alguma frequência. O seu tradicional "meu caro amigo", expressão que usa vezes sem conta como cumprimento, começou a ecoar de imediato pelos corredores assim que entrou na SIC".