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sexta-feira, 11 de abril de 2008

América já viu morrer um milhão de militares

Diz o jornalista Leonídio Paulo Ferreira, do DN de Lisboa, que "chamava-se José Rubio o morto 4000 do exército americano no Iraque. Mas podia também ser George Delgado, Christopher Hake ou Andrew Habsieger. Os quatro patrulhavam as ruas de Bagdad quando uma explosão destruiu o seu blindado. Nesse domingo, 23 de Março, a frieza dos números redondos ajudou a que a sua morte fosse menos anónima que as dos outros americanos que caíram já no Iraque apesar de George W. Bush ter proclamado vitória em Maio de 2003. Nesse momento, com Saddam em fuga, a invasão parecia ser um sucesso, uma das novas guerras em que o atacante, com a sua tecnologia, morre pouco.José nasceu no México, cresceu no Texas e sonhava ganhar a nacionalidade americana. Por uns dias, foi um ícone: o jovem, de 24 anos, que se imolou por uma guerra que se baseou em premissas falsas. Saddam tinha um historial de agressões (do Irão ao Koweit), mas não possuía as armas de destruição maciça de que falava Bush. Rapidamente, porém, o soldado Rubio passará ao anonimato. É o destino de quase todos os mortos. E em dois séculos, a América já viu morrer um milhão de soldados. São 12 os grandes conflitos em que os americanos se envolveram, segundo o Departamento dos Assuntos dos Veteranos, que possui estatísticas das guerras desde 1775. A mais recente surge sob a designação de Guerra Global ao Terror, mas na prática divide-se em duas: Afeganistão e Iraque (respostas ao 11 de Setembro de 2001).De todos os embates do passado, dois foram especialmente mortíferos. A Guerra Civil, porque pela primeira vez se usaram técnicas modernas (couraçados, caminhos-de-ferro, telégrafo, balões de reconhecimentoaéreo), e a Segunda Guerra Mundial".