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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Vozes na guerra: Umas chegaram logo, outras 40 anos depois

Com este título publicou o jornalista Nuno Pacheco no Publico um interessante texto que antecedeu a emissão de um programa de televisão: "Nos anos 1966/67 uma mulher percorreu Angola a levar mensagens gravadas pelas famílias aos soldados em guerra. Fez o mesmo para a Guiné mas nunca lá foi. Os destinatários ouviram as mensagens 40 anos depois. O documentário A Voz da Saudade mostra como. Para Manuel Baptista Traquina, furriel miliciano, vai falar a Maria de Fátima, sua noiva. "Querido noivo: desejo sinceramente que passes um Natal cheio de felicidades"." A primeira imagem é a de um gravador antigo, de fita, corpulento como uma torradeira, e de um dedo a pressionar o botão. O que se houve é uma voz de mulher, gravada há quarenta anos por outra mulher. A primeira tinha o noivo a combater em África, em Angola, e a voz denota ansiedade, comoção, medo. "Aguardo ansiosa o teu regresso que espero seja muito em breve. Um grande abraço da tua Fátima." Depois, um pesado silêncio. A segunda mulher, de seu nome Maria Estefânia Anachoreta, embora nascida em Lisboa vivia no mesmo distrito de Maria de Fátima, Santarém, e dera a si própria uma missão: gravar mensagens de mães, pais, noivas, namoradas, e levá-las ela mesma até ao teatro de guerra, dando-as a ouvir aos destinatários. Aos soldados que eram filhos, noivos, namorados ou simples parentes das vozes gravadas nas missivas. Estava-se em 1966.A missão teve êxito e muitos anos mais tarde, em 2003, o jornalista João Pombeiro contou-a na revista Grande Reportagem, entrevistando os protagonistas. Mas hoje à noite a história chega à televisão com novos pormenores e uma revelação: houve mensagens gravadas que ficaram inéditas e só agora foram dadas a ouvir aos antigos soldados a que se destinavam".