POLITICA, COMUNICAÇÃO & ELEIÇÕES

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Brasil: Polícia investiga possível assassínio do ex-presidente Goulart

"A Polícia Federal brasileira investiga em segredo a tese do possível assassínio em 1976 do ex presidente João Goulart, que morreu em circunstâncias estranhas de um "ataque de coração" na Argentina, disse o ministro de Justiça, Tarso Genro. "Estão em curso investigações sigilosas por parte da Polícia Federal para verificar se é pertinente ou não abrir um processo formal policial", disse Genro durante um encontro com correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro. Goulart, um homem de esquerda conhecido popularmente como "Jango", foi presidente do Brasil entre 1961 e 1964, quando foi derrubado por um golpe de Estado de militares apoiados pelos Estados Unidos. Goulart morreu no exílio, em 1976, num hotel de Mercedes (Argentina), segundo a versão oficial de um enfarte. Durante o seu exílio entre o Uruguai e a Argentina, "Jango" integrava a oposição de políticos brasileiros à ditadura que governou o maior país latino-americano até 1985. Segundo una denúncia formal dos seus familiares que começou a ser investigada em Fevereiro pelo Ministério Público brasileiro, Goulart, na realidade, foi envenenado por agentes uruguaios, infiltrados a mando do Governo brasileiro nos círculos próximos do ex-presidente. A antiga suspeita sobre a tese do assassínio já investigada e arquivada pelo Congresso brasileiro no início desta década - voltou este ano a impor-se com as declarações de um delinquente uruguaio identificado como Mario Barreiro, preso no cárcere de Charquedas, Estado de Rio Grande do Sul (Sul). Barreiro, que se declara ex agente secreto uruguaio, afirma que participou no assassínio do ex-presidente num hotel onde vivia Goulart e que foi colocado veneno numas pílulas para o coração importadas de França pelo cardiologista de "Jango". A Polícia Federal interrogou formalmente Barreiro para verificar as suas declarações, disse Genro. "Um primeiro interrogatório não sanou as dúvidas a respeito da veracidade destas declarações. Outras investigações estão a ser feitas, trocando informação para verificar a sua veracidade", disse o ministro. Genro não quis especificar se esse intercâmbio inclui as polícias de Uruguai e Argentina. Também afirmou que a testemunha - para a qual a família de Goulart pede protecção especial - está "em condições de segurança". O ministro admitiu que o testemunho do uruguaio "tem coerência". "O que diz Barreiro sobre a rotina no exílio de Goulart, sobre a forma como se comportava o ex-presidente tudo é totalmente real. Testemunhei isso pessoalmente, o resto não sei", acrescentou. Genro, um militante de esquerda de longa data, explicou que, durante o seu exílio nos anos da ditadura militar brasileira, passou 30 dias na casa do ex-presidente Goulart. A família de Goulart atribui a sua morte a "um consórcio, una cooperativa do crime" organizada pelas ditaduras sul-americanas". (fonte: Lusa)