POLITICA, COMUNICAÇÃO & ELEIÇÕES

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Política: "Peritos dizem que revelar factos mais pessoais traz vantagens"

Dizem os jornalistas João Pedro Pereira e Maria Lopes do Publico que "o primeiro-ministro, José Sócrates, e o líder do PSD, Luís Filipe Menezes, revelaram às câmaras da SIC partes das suas vidas pessoais. Em reportagens no Jornal da Noite (a de Sócrates exibida na quinta e a de Menezes ontem), falaram de hábitos quotidianos, do passado, da família. A estratégia de mostrar o lado pessoal dos políticos não é inédita, "está na moda" e "é bem-vinda para a maioria dos eleitores", nota Edson Athaíde, publicitário e responsável pelo marketing político das campanhas de António Guterres, em 1995, e de Manuel Maria Carrilho, nas autárquicas de 2005. Para Athaíde, este é o tipo de acção que tende a beneficiar "quem tem índices de notoriedade mais baixos" e que pode assim "dar-se a conhecer" - neste caso, Luís Filipe Menezes. O director-geral da agência de comunicação Lift, Salvador da Cunha, também argumenta que esta foi uma boa oportunidade para o líder do PSD, que conseguiu um espaço "para se comparar" a Sócrates: "A SIC permitiu a Menezes pôr-se ao lado do primeiro-ministro, o que nunca tinha acontecido até aqui. Ainda que numa ocasião específica, permitiu-lhe subir a fasquia." Salvador da Cunha considera ainda que mostrar o lado pessoal dos políticos é "sempre positivo". Mas refere que isso quase não aconteceu na reportagem da SIC sobre Sócrates e critica a forma como esta foi conduzida: "Foi óbvio que a liberdade da jornalista estava espartilhada. Não houve nada que transparecesse do primeiro-ministro que o tornasse mais humano." Na mesma linha, o crítico de televisão Eduardo Cintra Torres diz ter notado um tom "falso" na reportagem e defende que este tipo de trabalhos é, "à partida, favorável" ao visado. Sobre tudo e nada. Prometendo mostrar "o outro lado" de Sócrates, a SIC pouco mais conseguiu do que chegar ao hall de entrada da casa do primeiro-ministro. Família só nas fotografias; objectos pessoais só a caneta Parker e o anão de peluche Zangado. Luís Filipe Menezes, por seu lado, quase escancarou as portas da sua vida. "Os media portugueses ainda preservam muito a intimidade dos políticos", afirma o director de informação da SIC, Alcides Vieira. "A reportagem até estava muito aquém da fronteira do que é privado", reconhece. "São entrevistas descontraídas, informais, mais civis e menos políticas. São sobre tudo e sobre nada", defende Alcides Vieira, acrescentando serem "conversas soltas e desprendidas, que revelam o homem e não o político", como contraponto às entrevistas de estúdio, que são preparadas ao milímetro, "mais teatralizadas".