Comunicação: os jornais pedem desculpa porquê?

Texto da autoria da jornalista Margarida Santos Lopes, no Publico: "Sorry", imploram quatro tablóides britânicos ao casal McCann. Também o Nouvel Observateur lamentou a mágoa causada pela notícia de um alegado SMS de Sarkozy. O director da Society of Editors da Grã-Bretanha e o advogado Teixeira da Mota explicam o significado destes gestos.Entre o Verão de 2007 e Fevereiro deste ano, os tablóides britânicos Daily Express, Daily Star e as suas respectivas edições dominicais (Sunday Express e Daily Star Sunday) fizeram várias alegações sobre Kate e Gerry McCann, incluindo as de que o casal "vendeu" ou "matou" a sua filha Madeleine, desaparecida a 3 de Maio de 2007, no Algarve. A 6 de Março último, o site nouvelobs.com noticiou que, oito dias antes de se casar com Carla Bruni, o Presidente Nicolas Sarkozy enviou um SMS à sua ex-mulher Cécilia Ciganer-Alberniz, dizendo-lhe, alegadamente, "se voltares, cancelo tudo."Na quarta-feira, todos pediram desculpas. O grupo Express, que no próximo domingo volta a dizer "sorry", assumiu, na primeira página, o carácter difamatório de mais de 100 artigos, aceitou desembolsar uma indemnização equivalente a 697 mil euros e apagou já todo o seu arquivo online sobre o caso Madeleine. Foi um acordo amigável com os advogados dos McCann, ou uma "capitulação", como sublinhou no Guardian Roy Greenslade, professsor de Jornalismo na Universidade de Londres, porque esta seria uma batalha perdida em tribunal.Quanto ao Nouvel Observateur, depois de o seu director e co-fundador, Jean-Daniel, ter considerado "um erro" a publicação da história do suposto SMS de "Sarko", também o autor do artigo na edição electrónica, Airy Routier, enviou uma carta pessoal a Carla Bruni em que lamenta tê-la "magoado". Boa-fé do jornalistaAssim que recebeu esta mensagem, a primeira-dama divulgou o seu conteúdo no diário Le Monde e revelou que o marido retirou a acção judicial que interpôs - um processo judicial inédito na V República, de um chefe de Estado contra um órgão de informação. Ao contrário dos jornais britânicos, porém, Routier insiste na "autenticidade" da sua notícia, ainda que a própria Cécilia tenha desmentido a recepção do referido SMS. Num esclarecimento publicado na sua edição de ontem, o Nouvel Observateur reafirma que "esta confidência não deveria ter sido publicada", mas realça também a "boa-fé" do jornalista, que se "mantém em funções". Sugere ainda "um rápido e necessário debate" sobre a lei de 1970 que rege as relações entre vida pública e privada e que "está hoje em crise".Como se chegou aqui? No caso britânico, Bob Satchwell, director-executivo da Society of Editors, em Londres, explica ao P2, por e-mail, que um dos problemas cruciais no caso de Madeleine McCann é "quase não ter factos". Sabemos que a menina desapareceu do seu apartamento na praia da Luz e que os pais foram considerados arguidos pelas autoridades portuguesas. Além disso, ao contrário do que acontece no Reino Unido, não houve muitas conferências de imprensa ou explicações oficiais".

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