EUA-2008: "Clinton e Mc Cain tiram partido de lapso de linguagem de Obama"
Segundo o jornalista Manuel Ricardo Ferreira, do DN de Lisboa, "Bitter: amargo, doloroso, triste, penoso, diz-nos o dicionário, entre outras traduções que a palavra inglesa pode ter. Bitter é a palavra que, de repente, fez descarrilar a campanha de Barack Obama e deu novo fôlego à de Hillary Clinton para a nomeação democrata às presidenciais de Novembro.Esta história começou no domingo 6 de Abril, quando na Califórnia, numa sessão de angariação de fundos à porta fechada, sem jornalistas, Obama disse perceber porque alguns eleitores trabalhadores ficam frustrados com a situação económica em que se encontram e votam com base numa única questão: "Não é surpreendente que então fiquem amargurados (bitter), que se agarrem (a questões) de armas ou religião, ou antipatia para com pessoas que não se parecem com eles, ou ao sentimento anti-imigrante, ou ao sentimento anti-comércio livre como forma de explicarem as suas frustrações". O ter sido dito à porta fechada não impediu que aparecesse transcrito no blogue de Barbara Huffington. Depois apareceu uma gravação audio - e fala-se na existência de uma gravação vídeo.A informação 24/7 exige ser alimentada continuamente, e o bitter deu para reviver durante a última semana o comentário político radiofónico e televisivo que anda sem falta de assunto em período chocho das campanhas e em que a administração Bush é cada vez menos relevante em política interna.E foi uma inesperada bóia de salvação para Hillary Clinton, numa altura em que precisava de fazer esquecer as últimas gaffes (a história da Bósnia, as contradições sobre porte de arma, etc). O novo mote: Obama é arrogante, elitista e está desligado da realidade da classe trabalhadora.A senadora por Nova Iorque desconstruiu a frase de Obama e utilizou cada um dos pontos para lançar a corda ao cobiçado voto trabalhador. Num comício para operários em Indianapolis, afirmou que "as pessoas de fé que conheço não se 'agarram' à religião por estarem amarguradas. As pessoas abraçam a fé não porque sejam materialmente pobres, mas por serem espiritualmente ricas. Estou também em desacordo com a afirmação do senador Obama de que as pessoas deste país se 'agarram às armas' e têm certas atitudes sobre imigração ou comércio live simplemente por estarem frustradas. As pessoas não precisam de um presidente que olhe para elas de alto. Precisam de um presidente que as defenda".
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