POLITICA, COMUNICAÇÃO & ELEIÇÕES

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Pessoas:

Donald Woods, que morreu de câncer aos 67 anos no dia 19 de agosto, era, na opinião de Allister Sparks [The Washington Post, 22/8/01], o jornalista mais carismático da África do Sul e também o branco mais engajado na luta contra o apartheid. Sua carreira jornalística foi construída em um jornal relativamente pequeno, chamado Daily Dispatch, na cidade costeira de East London. Aos 31, Woods se tornou editor-executivo do jornal, mas sua personalidade engajada e seu estilo pungente colocou-o em estágio bem acima de sua própria publicação. Tornou-se colunista sindicalizado, estabelecendo-se como personalidade nacional com sua crítica violenta à segregação racial. Sua língua solta, infelizmente, não permaneceu imune e a vingança veio a cavalo. Woods foi proibido de escrever, mas o fez secreta e abundantemente, no conforto do lar, escondendo as páginas à medida que as preenchia. Depois de um confronto com a polícia, que incluiu tiros contra sua casa e uma camiseta envenenada enviada a sua filha de 2 anos, Woods escapou pela fronteira de Lesotho, travestido de padre. Partiu, então, para Londres, carregando seus manuscritos. Em seguida, foram a seu encontro a mulher e os cinco filhos. Woods foi de fundamental importância para a opinião internacional sobre o apartheid. Sua vida mudou novamente quando brancos e negros da África do Sul chegaram a um acordo em 1994, quando o país passou a ser governado por Nelson Mandela e a constituição se tornou democrática. Woods sonhava em voltar para casa, mas a realidade de 24 anos em exílio resultou em uma família muito enraizada na nova rotina e o jornalista foi, acima de tudo, um homem de família. Um patriota tão apaixonado morreu no exílio, horas após ter recebido um telefonema de despedida de Mandela em Johannesburg.
Filme "Cry Freedom" (1987):; Woods Meets Biko